Madeirenses alinham no 15º MADEIRADiG

03.09.2018


Foto © Raquel Sousa

A 15ª edição do festival MADEIRADiG, a decorrer de 30 de Novembro a 03 de Dezembro entre a Ponta do Sol e a Calheta, começa já a fazer mexer aqueles que são os preparativos para o ano de 2018. O evento dedicado à música electrónica experimental, realizado em parceria com o MUDAS - Museu de Arte Contemporânea da Madeira, a Estalagem da Ponta do Sol e agência Digital in Berlin integrará este ano no seu alinhamento dois madeirenses, a saber: Rui P. Andrade e Aires, stage name de Vitor Bruno Pereira, ambos membros co-fundadores do agrupamento de colaboração artística Coletivo Casa Amarela, junto com Mafalda Melim e Nelson Ferreira, e actualmente residentes em Portugal continental.

De vocação noise, no âmbito da electrónica experimental, os CCA têm vindo a trilhar desde 2014 um caminho coeso e seguro, disponibilizando online o seu trabalho alcançando visibilidade por via das diversas actuações ao vivo, tanto no continente como na Região, onde se têm apresentado em várias ocasiões, havendo sido notados pela crítica internacional, nomeadamente pela conceituada revista da área, The Wire, que lhes concedeu destaque na sua edição de Novembro de 2016.

Realizando apresentações de trabalhos individuais, mas também criando projectos em conjunto, dentro do âmbito dos CCA, Rui P. Andrade e Aires criaram o projecto Ulnar, cujo álbum de apresentação, “Dreaming of Sailing Further West, surgiu em Maio de 2017 seguido, em Julho de 2018, de “Live at Damas”, sendo que individualmente, Rui P. Andrade lançou em Setembro de 2017 aquele que considera ser o maior passo até agora dado na sua carreira - o álbum “All Lovers Go To Heaven”, sob a chancela da editora londrina ACR e Aires apresentou “Naturalismo” em Outubro de 2017.

A actuação prevista para o palco do MUDAS, durante a próxima edição do MADEIRADiG incluirá a apresentação do projecto Ulnar, nomeadamente em termos do primeiro trabalho “Dreaming of Sailing Further West”, um conjunto gravado no Funchal marcado pelas sonoridades “ambient, drone e noise criando paisagens sonoras coerentes e coesas”, e em cujas faixas, tais como “Saphire Harbour”, “Volcanic Ash” ou “Canberra” é possível sentir e perspectivar o território insular nas suas diversas características específicas, com referências explícitas à Ilha: à sua origem vulcânica, ao Oceano Atlântico que a rodeia ou aos movimentos migratórios, sendo que o título do álbum se refere a um artigo ilustrado datado do séc XIX, em que se refere a presença de Colombo na Ilha no âmbito dos preparativos da viagem que levaria à descoberta do continente Americano. Classificado pelos seus criadores como “um hino” em honra dos que ao longo de séculos aportaram e partiram do porto do Funchal, a presença da Ilha é inconfundível ao longo de todo o trabalho, tanto no plano estético, como sonoro podendo ser apontado como exemplar naquilo que é a influência do território na criação artística numa lógica de inovação criativa contemporânea e de vanguarda.

As entradas para a edição de 2018 do MADEIRADiG estarão disponíveis para aquisição a partir do mês de Outubro através do site do festival em www.madeiradig.com.

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